A Personal
Cristiane Pinto Rocha nasceu na cidade de Belo Horizonte (MG), no dia 23 de junhode 1983. Da infância ela guarda várias imagens, entre elas aquela do lugar onde tudo começou: uma sala pequena cheia de meninas vestindo collants, saias cor-de-rosa e polainas. Era lá que Cristiane praticava o jazz, atividade que foi o começo do seu aprendizado sobre o desafio que é superar os próprios limites.
Aos sete anos Cristiane teve o primeiro contato com a natação – esporte que lhe rendeu muitas vitórias e alguns traumas. A menina magrinha, de ombros estreitos e olhar cabisbaixo não gostava nem um pouco de ser chamada de palito de fósforo, cabo da vassoura e saracura, entre outros apelidos inventados pelos colegas. Ao invés de revidar, ela ficava amuada, cada vez mais introvertida e complexada com o corpo que tinha. Acabou por canalizar toda essa frustração para o seu treinamento.
Após alguns anos se dedicando exclusivamente à natação, a dança de salão entrou na vida de Cristiane. O incentivo veio por parte da sua mãe, que tinha acabado de abrir uma academia de dança. Dançar amenizou a timidez e melhorou a postura da então menina. Mas nada disso foi suficiente para resolver o seu complexo de magreza.
Mas a dedicação à natação aumentou muito no começo da adolescência, o que fez com que Cristiane se afastasse da dança. A rotina era bastante pesada: treinar de madrugada, freqüentar a escola e treinar novamente no final do dia (com a energia esgotada). A carga de treinamento era muito forte para a atleta, que não contava com qualquer reforço muscular, dietético ou psicológico – absolutamente essenciais para treinamentos neste nível e intensidade.
Por conta desta má orientação aliada à rotina pesada de treinos, não demorou muito para que os primeiros sinais de desgaste aparecessem. Cristiane desenvolveu tendinite nos ombros e um sopro no coração, problemas que afetaram não só o corpo da adolescente, mas também a sua estabilidade psicológica. Surgiu a falta de motivação para seguir no esporte, visto que não era mais possível para ela atingir os resultados esperados.
Aos 15 anos, Cristiane decidiu parar de nadar. A menina magrinha ganhou então 14kg, achando que o seu complexo estava finalmente solucionado. Não estava: agora, ao invés de ser chamada de palito de fósforo, era obrigada a ouvir nomes como “popotinha”, fofinha e gorduchinha. Uma total confusão se instalou na sua cabeça.
Mas esta fase durou pouco tempo, não mais do que seis meses. As gordurinhas começaram a se despedir do corpo de Cristiane quando ela decidiu entrar para uma academia, por incentivo de uma antiga colega de natação. Foi aí que nasceu o seu primeiro contato com a musculação e ginástica.
Conforme o tempo foi passando, o corpo de Cristiane foi mudando, e as pessoas passaram a elogiá-la – o que elevou a sua auto-estima como nunca. Mesmo tendo ainda pouca idade, ela entendeu que, na verdade, o seu antigo complexo não estava ligado à magreza. O real problema na sua vida era a aceitação social, que ela buscara até então sem sucesso. Após entrar para a academia e enxergar novos possíveis caminhos, Cristiane descobriu que a felicidade não estava em ser o que os outros queriam que ela fosse, mas sim em ser o que ela mesma sonhava ser.
Cristiane - ou Cris Maria, para os íntimos - sempre foi muito sonhadora. Sendo assim, passou a explorar e expandir as experiências que já tinha vivido na sua vida esportiva, de modo a tirar proveito de tudo o que havia aprendido, mas agora em um novo contexto. Na academia, ela passou a desenvolver as competências necessárias para o desenvolvimento muscular e a perda de gordura, indo ate o limite do seu potencial. Muito observadora e curiosa, Cris iniciou uma busca pelas melhores informações ligadas ao treinamento. A cada ano que passava, a mudança era claramente percebida no seu corpo – e, de forma ainda mais marcante, na sua mente.
Quando tinha 17 anos, Cris começou a cursar Educação Física. Já no segundo período do curso tornou-se estagiária. Após somente um ano de faculdade, ela já ministrava aulas. No fim da graduação, já trabalhava em uma das maiores redes de academias da América Latina, a Companhia Athletica.
A menina que era magrinha e depois engordou estava agora no caminho certo e equilibrado. Estava indo em busca dos seus sonhos, desta vez com bem mais maturidade. Ela começou a perceber que toda mudança exige um determinado tempo de transição, transição esta que não pode nunca ser muito demorada, sob pena de inviabilizar de vez os objetivos desejados. Cris entendeu que o fator psicológico foi o maior responsável por ela não ter conseguido alcançar os seus sonhos esportivos no passado.
Mas, desta vez, tudo seria diferente. Além de estar psicologicamente mais equilibrada e confiante, Cris podia contar com a estabilidade financeira proporcionada pelo trabalho. O dinheiro que ganhava lhe garantia o acesso a livros que aumentavam o seu conhecimento, a um bom nutricionista para cuidar da sua alimentação, a um bom endocrinologista para melhor direcionar os seus hormônios, aos melhores suplementos e aos treinamentos nos equipamentos de ultima geração. Mas é importante ressaltar o essencial: o dinheiro não podia nem jamais poderá comprar a determinação e a força de vontade. Nem a sabedoria que é entender que não se pode ter tudo o que se quer ao mesmo tempo.
Um dos fatores-chave é, aliás, a alimentação, sempre. A dieta de Cris não tem qualquer segredo: nada de doces, frituras, excessos ou guloseimas. Tudo é bem calculado por um nutricionista, que baseia o cardápio dela em alimentos como batata doce, carnes brancas, vegetais, suas frutas preferidas e a devida suplementação. Não adianta querer se enganar achando que a transformação pode ocorrer por milagres: é preciso mudar por completo os hábitos alimentares, trabalhando a mente para que isso seja percebido não como um sofrimento, mas como um novo estilo de vida. Afinal de contas, alguém já viu algum índio comer bolo de brigadeiro? Certamente que não. No entanto, nenhum índio nunca morreu por falta disso. Na busca por soluções para a transformação, é preciso se lembrar de que muitas coisas tidas pela maioria das pessoas como indispensáveis na verdade não o são.
Hoje, Cris se orgulha muito do que já conquistou. E sabe que pode ir muito além, se souber dar um passo de cada vez. E se continuar a sua caminhada sempre acompanhada de pessoas amigas e verdadeiras, que lhe ajudam a transformar os seus sonhos em realidade.
|