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EPIDEMIOLOGIA - Lesões de joelho em mulheres


Qual o motivo de atletas mulheres serem mais susceptíveis às lesões de ligamento de joelho do que os atletas masculinos que praticam as mesmas atividades físicas? Diversas teorias têm sido formadas para explicar este fenômeno.

Até o início do século passado, as mulheres foram excluídas de diversas modalidades de esportes competitivos já que estas atividades eram consideradas perigosas. Essa atitude tem mudado gradualmente tanto que, especialmente nos últimos 30 anos, oportunidades na área esportiva para as mulheres têm aumentado e são agora quase tão difundidas quanto às masculinas. Esse nivelamento das atividades, tem nos permitido comparar os sexos de igual para igual nos quesitos intensidade e freqüência dos exercícios e observar a real diferença ao risco de lesões entre os dois sexos.

Esta diferença é especialmente aparente nas lesões de joelho, principalmente do ligamento cruzado anterior (LCA). Estudos mostram que mulheres têm oito vezes mais chance do que os homens de lesionar o LCA praticando o mesmo esporte. Além disso, as mulheres têm risco aumentado de instabilidade de joelho e ruptura do enxerto após reconstrução cirúrgica do LCA e geralmente tem resultado menos bem sucedidos do que os homens. Por que isso acontece?

Quatro teorias, baseadas nas diferenças entre os sexos, têm sido sugeridas para dar suporte a esses fatos: hormonal, biomecânica/ anatômica, neuromuscular e diferenças nos padrões de movimentos.

Estudos sugerem que as diferenças na remodelação do tecido do LCA, possivelmente aumentadas devido às diferenças nos níveis hormonais, poderiam explicar uma maior incidência de lesões neste ligamento em atletas mulheres. Além disso, a flutuação nos níveis dos hormônios sexuais durante o ciclo menstrual é apontada como um possível fator de risco à lesão. Resultados quanto ao momento da lesão e a fase do ciclo menstrual, entretanto, são inconclusivos; diferentes estudos têm identificado um risco aumentado durante cada uma das três fases do ciclo: folicular, ovulatória e lútea. Assim, a influência o ciclo menstrual não parece seguir um padrão claro. A relação entre o risco às lesões e o uso de contraceptivos orais também é desconhecida.

Diferenças anatômicas e biomecânicas existem entre ambos os sexos. O LCA se move com o tubérculo intercondiliano que fica entre os dois côndilos femurais. Mulheres têm tendência a ter tubérculos menores que os homens. Teoricamente, um tubérculo mais estreito é mais propício a lesão de ligamento. Além disso, as mulheres, como conseqüência de terem a pelve mais larga, têm um maior ângulo Q (o ângulo que se encontra na congruência do fêmur com a tíbia) que os homens. Isso leva a um stress em valgo no joelho e aumenta o risco de pronação do mediopé. A combinação desses fatores aumenta as forças rotacionais no LCA durante movimentos explosivos com suportes de peso. Genu recurvatum e a hiperextensão de joelho aumentam as forças de stress que atuam no LCA , as quais são mais comuns nas mulheres do que nos homens. Além disso, mulheres têm uma incidência maior de frouxidão ligamentar que os homens o que pode também aumentar o risco à lesão do LAC. Um ponto importante a ser lembrado é que estudos sobre esses fatores são ainda inconclusivos.

Vários fatores neuromusculares são citados para explicar a diferença na incidência das lesões de LCA entre os sexos. A estabilidade da articulação do joelho é provida por ligamentos com suporte dos músculos da articulação, especialmente o quadríceps e seu antagonista os isquiossurais. A contração dos isquiossurais age sinergicamente com o LCA para reduzir a translação anterior da tíbia. Mulheres têm menos força muscular que os homens, por isso desenvolvem uma dominância de quadríceps, e uma reduzida razão de força isquiossurais/ quadríceps. A propriocepção dos joelhos reduzida é uma causa potencial à lesão de LCA, mas estudos ainda não são capazes de demonstrar as diferenças sexo relatadas na propriocepção do joelho saudável. Entretanto casos de ruptura de LCA e outros, após reconstrução do ligamento, mulheres demonstram maior déficit maior na propriocepção joelho.

Diferenças no padrão de movimento entre os sexos relatam sobre a maior incidência de lesão de LCA em mulheres. Estudos mostram que mulheres tendem a correr impulsionar e aterrissar fazendo rotação interna de fêmur movimento que aumenta o stress em valgo do joelho, e assim aumentando o risco de lesão. As mulheres podem também ter um tendência à executar estes movimentos com joelhos estendidos do que com os mesmos flexionados, o que também pode aumentar o risco à lesão.

A incidência de lesões de LCA em mulheres poderia ser reduzida? Levando-se em consideração as diferenças discutidas até então, poderia sim. As áreas mais efetivas de intervenção são as de diferenças nos padrões neuromusculares e de movimentos. Pelo menos seis estudos controle, randomizados ou estudos prospectivos de coorte têm investigado os efeitos dos treinamentos neuromusculares. Três destes estudos demonstraram a efetividade desta abordagem na redução ao risco de lesão do LCA. As intervenções neuromusculares estudadas veriam e inclui uma combinação de treinamento de força, pliométrico e proprioceptivo (através de exercícios de placa de equilíbrio), assim como a re-educação dos padrões de movimentos. Conseqüentemente, determinar qual das intervenções é a mais efetiva é difícil. Apesar dos problemas metodológicos associados a cada um destes estudos, os resultados realmente sugerem que as deficiências neuromusculares e nos padrões de movimentos são fatores chave para as diferenças na incidência de lesão do LAC em mulheres e homens .

Para os próximos anos, talvez seja possível reduzir o risco às lesões de LCA nas mulheres a níveis similares aos vistos em homens. Esse avanço pode ser alcançado selecionando-se atletas mulheres participantes de esportes com alto risco de lesão do LCA e incorporando ao regime de seus treinamentos de pré-temporada, programas de treinamento neuromuscular.

Além de um treinamento funcional adequado e preventivo, a nutrição celular aparece como um grande diferencial já que, além de prover energia e nutrientes para que este atleta melhore sua performance e recuperação pré, durante e pós-treino, ela irá organizar o corpo dele através de nutrientes, fitoterápicos e nutracêuticos específicos, a fim de minimizar e melhorar aquelas alterações e/ou oscilações hormonais que tanto influem no desempenho final dos atletas sejam eles homens ou mulheres.


Tradução e comentário: Diana Fonseca Coulon - Nutricionista Be Light Estar Bem

Tradução: Bruno Avelar de Souza - Fisioterapeuta - NeoAct


Roger Wolman

Royal National Orthopaedic Hospital, Stanmore, Middlesex, UK.

Nature reviews | Rheumatology Volume 5 | October 2009

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